A morte da secretária da federação dos aeronautas

No dia 10 de julho de 1997, era assassinada de forma brutal , a secretária da Associação  dos Aeronautas  do Estado do Rio de Janeiro. O fato acontecia na área da 1ª DP-Praça Mauá, localizada no centro do Rio de Janeiro. Eu era lotado  na época no Setor de Homicídios da 52ª DP-Nova Iguaçu, Município localizado acerca de  40 km do local d crime, porém os companheiros policiais daquela distrital, vendo que o meu trabalho  de investigação obtinha bom resultado, me pediram ajuda. Imediatamente me desloquei a 1ª Delegacia Policial onde pude manusear os autos do Inquérito Policial, que era ilustrado principalmente  pelas declarações do porteiro do prédio, que dizia que no momento do crime ninguém estranho entrou ou saiu do prédio. Resolvi então  efetuar um rastreamento em todos os funcionários que trabalhavam no prédio  no dia do fato. Qual não foi a minha surpresa ao descobrir que o ascensorista que havia sido recém contratado era um perigoso foragido da Justiça da Comarca de Campina Grande, condenado a  10 anos e 8 meses, por infração ao Art. 12 da Lei 6368/76. Horas depois, já de posse da cópia do mandado de prisão, o foragido era preso e toda a trama criminosa  revelada pelo também funcionário que lhe apresentara para ali trabalhar. A confissão informava que o ascensorista, após ter furtado aquela jovem, enquanto efetuava um serviço de pintura na Federação dos Aeronautas, havia jogado os documentos da vítima na lixeira do prédio. O furto teria sido registrado na 1ª Delegacia Policial e dias depois a secretária descobria que o autor teria sido o ascensorista, fato que teria decretado a sua morte, pois qualquer denuncia contra o foragido, revelaria a sua condição de evadido da Justiça.  
Tribunal do Júri é uma caixa de surpresas e o criminoso julgado, foi absolvido. O jovem que o apontou como o assassino, orientado por advogados, voltou atrás em suas declarações. Em investigações mais profundas, descobri  que ele também responde a vários processos por crimes,  em São Paulo e em Campina Grande, onde teria esfaqueado um rapaz que o admoestara por estar bêbado e nu em via pública. Ele continuou preso no Rio de Janeiro, com base nas condenações existentes e aguardando decisão de recurso do Ministério Público, no caso em tela.




Pensamentos

“A tristeza de um policial é ver atos de injustiça, praticados principalmente por seus pares contra seus pares !”

- Daniel Gomes -