A morte de Renato do Posto - Guapimirim

Manhã do dia 12 de fevereiro de 2009, éramos alertados pelo Delegado Titular da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense, de que  deveríamos seguir imediatamente rumo à cidade de Guapimirim-RJ, onde a poucos instantes atrás havia ocorrido um bárbaro crime com a morte do Secretário de Governo daquela cidade e pai do Prefeito.  Recordo-me que a noticia fazia menção a existência de uma guerra política com  várias denuncias de brigas e desmandos políticos que envolviam as cidades limítrofes  de Magé e Guapimirim.  No local, uma residência de campo, localizada na serra dos órgãos, jazia no interior do quarto de dormir, o corpo daquele político que amarrado em uma cadeira, pelas mãos e pés, havia sido executado com vários tiros na cabeça à queima roupa. O quadro era tétrico com  a presença de várias autoridades, muito sangue espalhado pelo chão, móveis revirados, Munícipes revoltados e  familiares desesperados.   Confesso que em  toda a experiência adquirida ao longo dos anos trabalhados com crimes violentos, me senti muito triste, pois ninguém merece sofrer tamanha violência. Iniciávamos imediatamente as  investigações efetuando minucioso relatório de local de homicídio e acompanhando o trabalho pericial que era feito por uma jovem perita que coletava todos os vestígios deixados no local do crime, como marcas, pegadas e imagens . Dias depois, através de GPS (Sistema de posicionamento Global) iniciávamos a operação “GOLIAS” com uma devassa na vida dos criminosos que eram monitorados , descobertos e  presos em casa, sendo arrecadadas  várias provas, como dinheiro, jóias, roupas, armas e veículos, que confirmavam  a participação de todos no crime. A população daquela cidade, os familiares, a mídia, o Ministério Público e a Justiça se manifestavam positivamente, mediante aquela resposta efetiva da Polícia Judiciária do Estado do Rio de Janeiro, porém ainda restava uma coisa, apurar de onde iniciara aquela ação  de roubar e matar aquele político. Passados alguns dias, em nova operação “GOLIAS I”, após análise efetuada com base na prisão dos executores, com as provas encontradas, e com  os depoimentos colhidos era preso o chefe de gabinete da Câmara Municipal daquele Município. Com base no trabalho investigativo, todos eram denunciados por infração ao Artigo 157 & 3º do CP (Roubo seguido de morte) e  Art. 288 (Formação de Quadrilha) , Proc. nº 2009.073.001116-8, sendo condenados cada um  à pena de 23 anos 04 meses e 12 dias- multa.




Relatório do caso "A morte de Renato do Posto - Guapimirim"

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Pensamentos

"O policial que não preserva o local do crime e ignora a Criminalística é um analfabeto funcional"

- Daniel Gomes -